Rio 40 graus é um filme brasileiro de 1955, com roteiro e direção de Nelson Pereira dos Santos e duração de 100 min.É considerada uma obra inspiradora do cinema novo, movimento estético e cultural que pretendia mostrar a realidade brasileira.
Movimento surgido nos anos 1950, inspirado pelo neorrealismo italiano, que utilizava atores não profissionais, locações reais e temas sociais. Sua produção apresentou problemas desde o início, e só foi possível graças a um esquema em que a equipe se tornou sócia do filme, por meio do sistema de cotas. Durante as gravações, a trupe ainda dividiu um minúsculo apartamento de dois quartos – a república dos dez – em prédio conhecido por seus prostíbulos, atrás da Praça da Cruz Vermelha, no Centro do Rio, para economizar nas despesas. O filme foi censurado pelos militares, que o consideraram uma grande mentira. Segundo o censor e chefe de polícia da época, "a média da temperatura do Rio nunca passou dos 39,6°C".
O filme é um semi-documentário passado em um domingo de verão, o filme traz como personagens principais cinco meninos negros que vivem no Morro do Cabuçu, na Zona Norte, e vendem amendoim em pontos turísticos da cidade, como o Corcovado, o Pão de Açúcar e Copacabana. Nelson estruturou toda uma visão humana, transcorrida num domingo: os personagens se encontram e desencontram, percorrem a cidade, buscam o lazer, o amor, o trabalho. São seres extraordinariamente simples e humildes, personagens que permanecem na retina do espectador
Os atores mirins foram escolhidos no próprio morro. A mistura de ficção e realidade trouxe às telas os contrastes sociais que incomodavam muitos setores da classe média, cuja cultura rejeitava a pobreza como tema de cinema
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