quarta-feira, 18 de maio de 2011

Violência. Gravidez indesejada. Aborto. Conflito de gerações. Nudez. Ambição. O medo de não conseguir sustentar a família. Amor. Desigualdade social. Favela. Demissões em massa. Polícia agindo com brutalidade. Repressão. Não fosse o figurino e o fantasma do Regime Militar seria difícil identificar a trama como se passando na São Paulo de 1979. Abordando temas ainda atuais, Eles não usam Black-tie (Brasil, 1981), dirigido por Leon Hirszman e baseado na peça homônima, de Gianfrancesco Guarnieri, foi sucesso de bilheteria quando lançado e até hoje suscita discussão.   
                                  
                            

Na história, cabe a enérgica e zelosa matriarca da família, Romana (brilhantemente interpretada por Fernanda Montenegro), o papel de controlar os ânimos e os horários dos três homens da casa – o marido Otávio (Gianfrancesco Guarnieri) e os filhos, o primogênito Tião (Carlos Alberto Riccelli), operário como o pai, e o caçula Chiquinho.
                             
Otávio ficara preso durante três dos anos de regime ditatorial no Brasil, fato que afetou sua família, mas não o fez desistir de, junto com o colega Bráulio (Milton Nascimento), continuar lutando pelos direitos da classe operária. Tião, no entanto, que teve de morar com os padrinhos no período da ausência do pai, não vê com bons olhos a greve proposta pelo movimento sindicalista na fábrica, encabeçado por Otávio, Bráulio e o estourado Santini (Francisco Milani).     
                 
Ao saber que a namorada Maria (papel de Bete Mendes) estava grávida, Tião decide anunciar o noivado. A preocupação e o medo de assumir as responsabilidades de pai de família, além dos constantes comentários do também companheiro de trabalho Jesuíno (Anselmo Vasconcelos) de que era melhor ser desprezado pelos colegas à ser mal visto pelo patrão, levaram o rapaz a furar a greve, “menos por covardia e mais por convicção”. Para ele, a greve era um direito de todo funcionário - que ele não queria exercer.

Premiadíssimo, Eles não usam Black-tie levanta importantes questões, sem deixar de ser um filme que agrade os menos entusiastas de política, intercalando as críticas ao regime com cenas do cotidiano, como as do namoro de Tião e Maria, o amor apesar dos anos de Otávio e Romana e o alcoolismo enfrentado por Jurandir (Rafael de Carvalho).

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