quarta-feira, 23 de março de 2011

A efemeridade da vida x a longevidade de um artista

A efemeridade da vida x a longevidade de um artista
Anna Carolina Cardoso Pinheiro

Uma das figuras mais longevas de nosso país... Essa é apenas uma das maneiras de caracterizar Oscar Niemayer, o maior arquiteto brasileiro de todos os tempos. O documentário A vida é um sopro (Brasil, 2007), dirigido por Fabiano Maciel, ao longo de seus 90 minutos, apresenta ao telespectador muito mais que os 103 anos de vida de Niemayer: mostra como a história desse mestre se mescla à história da arte moderna no Brasil e, de quebra, exibe o jeito desbocado do artista.

Além do Brasil, o longa-metragem leva quem lhe assiste a um viagem pelas obras de Oscar em outros países, tais quais Portugal, Argélia, França, Itália, Estados Unidos, Uruguai e Inglaterra. Intercalam-se ao enredo desenhos nunca antes vistos do arquiteto, assim como sua casa e um pouco da sua intimidade. 

Com depoimentos de pessoas ilustres como o historiador Eric Hobsbawn, o cantor e compositor Chico Buarque, o escritor português José Saramago entre outros é o depoimento do próprio homenageado que emociona. No decorrer do documentário, tem-se a oportunidade de conhecer esse lado não tão conhecido de Niemayer, o de pessoa crítica, franca, que fala tudo o que pensa. Que mesmo humilde, sabe da importância do seu trabalho, principalmente no Brasil. 

Brasília é um temas mais abordados e, junto com pedacinhos da história, vem uma crítica relevante nesses tempos de superlotação urbana: “as cidades não deveriam crescer sem controle. Deviam parar e depois se multiplicar”, afirma o centenário.

A maior lição que fica, no entanto, é dada pelo próprio Oscar: a vida é efêmera, “A vida é um sopro. Nasceu, morreu, fodeu-se”.

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